Vento Negro, é viração
E virou mesmo o tempo... no domingo, o calor quase que de um dia de verão... então à noite, os ventos...
às 6 da manhã, acordei com uma trovoada que soou perto daqui. Foi tão forte que todos os carros do estacionamento aqui do condomínio ativaram seus alarmes, apenas pela vibração do trovão. Entreabri a persiana e olhei as luzinhas piscando. Não fosse o mês setembro, até dava para relacionar com um pinheirinho de natal.
Vinte de Setembro! pensei eu. Feriado regional para os gaúchos, que comemoram uma revolução que não vingou. Eh, bom, pelo menos serviu para unir o povo em busca de uma identificação e marca própria: a do gaúcho.
Iniciou-se uma forte precipitação e falei comigo - esta chuva vai estragar o desfile. Como ainda era cedo, deitei novamente e apaguei, até às 8h, quando iniciaria o desfile. E começou! Um pouco atrasado, mas o desfile aconteceu, e foi tão bonito e emocionante que o coração gaúcho bateu mais forte. Que bom poder acompanhar as músicas e ver os amigos passando a cavalo ou nos carros alegóricos!
Então, em homenagem ao feriado da Revolução Farroupilha, vai a letra de uma das músicas tradicionalistas que mais gosto:
Tertúlia - Os Serranos
Uma chamarra, uma fogueira,
Uma chinoca, uma chaleira
Uma saudade, um mate amargo,
E a peonada repassando o trago.
Noite cheirando a querência
Das tertúlias do meu pago.
[REPETE]
Tertúlia,
O eco das vozes perdidas no campo afora
Cantigas brotando livres
Em novo prenúncio da aurora.
É rima sem compromisso,
Julgamento, castração
Onde se marca o compasso
No bater do coração.
Uma chamarra, uma fogueira (...)
É o batismo do sem nome
No meio dos desgarrados
Grito de alerta no pampa
Tribo nada injustiçados
Tertúlia é campo
Sem porteira ou arramanos
Onde o violão e o poeta
Podem chorar abraçados
Uma chamarra, uma fogueira (...)
20 de set. de 2004
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário